terça-feira, 17 de abril de 2018

Abertura do Encontro Estadual de Agroecologia em Serra Telhada

     Cerca de 172 pessoas marcaram presença no Encontro. Foto. Hugo de Lima (ASACOM)

Por Kátia Rejane Holanda Lopes, comunicadora popular da ONG Caatinga e do Núcleo de Comunicação da ASA-PE

Em clima de gratidão e resistência começou nesta segunda feira (16), em Serra Talhada/PE, o Encontro Estadual de Agroecologia, com a participação de 172 pessoas, das quais 58% são mulheres, 70% são agricultores e agricultoras, e 5 povos de comunidades tradicionais entre indígenas e quilombolas. 
O encontro acontece em preparação ao IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que acontecerá em Belo Horizonte/MG, nos dias 31 de maio e um e dois de junho, com o tema: Democracia e Agroecologia Unindo Campo e Cidade. Além de Pernambuco, até o final do mês os demais estados realizarão seus encontros.

Mística sempre presente nos Encontros da Agroecologia. Foto: Hugo de Lima (ASACOM)

Na abertura do encontro, a mística trouxe a necessidade da unidade, acolhimento e do respeito às diferenças como características próprias do movimento agroecológico. As falas iniciais foram carregadas de gratidão, pois esse é um encontro construído por muitas mãos e poucos recursos, muitas doações de alimentos foram feitas por famílias agricultoras dos diferentes territórios, as organizações e movimentos sociais se articularam para garantir as participações das delegações, observando a representatividade necessária. "A beleza desse encontro está no empenho, no trabalho e energia que cada um e cada uma de nós colocou para a construção desse encontro", disse Giovanne Xenofonte, da coordenação do Caatinga.

Temas centrais do ENA em discussão. Foto: Hugo de Lima (ASACOM)

Após a abertura os participantes se dividiram em grupos para discutir os temas de Comunicação e Democracia, Água: acesso, conservação e democracia, Juventudes, Mulheres: sem feminismo não há agroecologia, Terra e territórios e relação campo cidade, esses são alguns dos temas discutidos no IV ENA. O encontro segue até a tarde desta terça-feira (17), com animação e resistência.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Serra Talhada recebe Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA

O evento é preparatório para o Encontro Nacional de Agroecologia, que será em Belo Horizonte



Cerca de 150 representantes de todas as regiões de Pernambuco se encontrarão em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, na próxima segunda-feira (16) para o Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA. Com o tema “Agroecologia e Democracia, unindo campo e cidade”, o evento é um dos processos preparatórios para o encontro nacional que acontecerá em Belo Horizonte/MG, de 31 de maio a 03 de junho deste ano, reunindo mais de 2.000 agricultores, agricultoras, estudiosos e interessados na temática.

A expectativa da organização do encontro, segundo Giovanne Xenofonte, coordenador do Caatinga e um dos organizadores, é que se consiga construir estratégias de resistência e fortalecer a atuação da Rede em Agroecologia. “Um dos instrumentos de nossa luta de resistência é nos encontrarmos. A realização de um encontro neste contexto é estratégico, e vai nos ajudar a entender melhor a situação e combinar nossa atuação, intervenção e resistência. Um encontro que trás representações de diversos territórios que constrói a Agroecologia no Estado, garantindo a proporcionalidade de mulheres e jovens, qualifica ainda mais o debate com outras perspectivas. Uma outra expectativa é que a gente consiga chegar no IV ENA com a clareza de como a Agroecologia está sendo construída nos territórios, que desafios tem enfrentado e como tem superado, e quais os problemas mais recentes que tem impedido que a Agroecologia avance.”, explica. 

Em Serra Talhada, serão dois dias de atividades que acontecerão na Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/UFRPE). Neste período, serão construídas as Instalações Pedagógicas de Pernambuco que irão compor as experiências territoriais no IV ENA e definir a delegação que irá representar o Estado em Belo Horizonte.

A programação começa na segunda (16), às 14h, com Rodas de Diálogos que irão discutir os temas geradores do IV ENA: Comunicação e democracia; Água: Acesso, Conservação e democracia; Juventudes; Mulheres: Sem feminismos não há agroecologia; Terra e Territórios; e Direito à Cidade. Em seguida, acontece um debate sobre os avanços e desafios em diálogo com a Agroecologia. Ainda no primeiro dia, o evento promete uma noite cultural aberto ao público, com apresentações de grupos, dança e uma feira com expressões Agroecológicas unindo o campo e a cidade. No segundo dia (17), os participantes irão construir instalações pedagógicas sobre o retrato de resistências e desafios de três regiões de Pernambuco, o Sertão do Araripe, Sertão do Pajeú e Zona da Mata Sul. Essa construção será apresentada em Belo Horizonte, durante o IV ENA.  À tarde, no encerrando do Encontro, será definida a delegação de Pernambuco que irá em maio representar o Estado, em Minas Gerais.

O Encontro reunirá representantes das lutas de mulheres, juventudes, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, pescadores/as artesanais, movimentos sociais e da academia, com presença marcante dos núcleos de agroecologia. O IV ENA é convocado por dezenas de organizações, redes e movimentos sociais de todo o Brasil, realizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).


SERVIÇO

Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA
Dias 16 e 17 de abril de 2018
No campus da Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/ UFRPE).

CONTATOS IMPRENSA
Jéssica Freitas (ADESSU Baixa Verde) - (87) 99601.3281
Emanuela Castro (ONG Casa da Mulher do Nordeste) - (81) 98186.0484

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM

Recife 19 de dezembro de 2017

O Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM-PE em reunião, ordinária do colegiado, realizada em 19 de dezembro de 2017, no Centro Cultural dos Correios, aprovou esse documento, tornando público seu firme posicionamento contrário a utilização das dependências do egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco - suspensa nessa manhã (19), pela repercussão que causou nas redes sociais, advinda do movimento social de mulheres e diversas instituições - para promover o lançamento de uma publicação de autoria de um Juiz de Direito Criminal, cujo título vai na contramão de uma conquista das mulheres brasileiras, a Lei nº 11.340/06, nomeada Lei Maria da Penha, marco histórico, que repara crimes cometidos contra a mulher no ambiente doméstico e familiar.

O falacioso e grosseiro título dessa publicação e certamente seu conteúdo, agridem o estado democrático de direito e o conjunto das instituições responsáveis pela aplicabilidade das leis vigentes no país.

Essa é mais uma publicação que flerta com a perigosa farsa da “ideologia de gênero” cujo objetivo é manter o status quo do atraso e do obscurantismo tão nefastos à liberdade à emancipação das mulheres e à democracia.

Falar em “discriminação do gênero Homem no Brasil” é subverter intencionalmente a história da opressão das mulheres com o agravante, indecoroso e desonesto, em atribuir essa “discriminação” a Lei Maria da Penha.

A sociedade e suas instituições não precisam desse desserviço que agride profundamente os direitos das mulheres conquistados com muita luta, dor e sangue.

O Supremo Tribunal de Justiça, instado por representantes de forças conservadoras, votou pela constitucionalidade da lei Maria da Penha, mas sempre nos sobressaltamos com a persistente insistência de certos criminalistas, homens e mulheres, que em nome da defesa da doutrina e ordem jurídica trabalham insistentemente para desqualificar uma lei legítima, fruto da condenação internacional do estado brasileiro, por não garantir às mulheres o direito a uma vida sem violência.

O patriarcado é ardiloso se reinventa alimentando e retro alimentando o machismo e a misogenia cotidianamente. A Lei Maria da Penha cujo principal mérito foi tornar público o crime cometido no espaço privado e punir os agressores de mulheres é recorrentemente desqualificada por pessoas que não se conformam com essa conquista das mulheres. 

O CEDIM juntamente com o conjunto dos Comitês Estaduais de Mulheres continuam firmes e atentos a qualquer tentativa de desmonte das nossas conquistas e mais uma vez, reafirmamos nossa indignação com a falta de cuidado do TJPE em colocar suas dependências à disposição de tamanho despropósito, ao mesmo tempo em que reconhecemos o acerto da decisão de seu Presidente em suspender o evento que jamais contribuirá para o aprimoramento de uma instituição que tem como missão aplicar as leis e fazer justiça.

CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA MULHER – CEDIM/PE
COMITÊ DAS MULHERES NEGRAS METROPOLITANAS
COMITÊINTERISTITUCIONAL PRÓ MULHER IDOSA DE PERNAMBUCO
COMITÊ INTERINSTITUCIONAL PRÓ LÉSBICAS E MULHERES BISEXUAIS DE PERNAMBUCO
COMITÊ INTERINSTITUCIONAL PRÓ MULHER PROFISSIONAL DO SEXO
COMITÊ INTERINSTITUCIONAL PRÓ MULHER COM DEFICIÊNCIA
COMISSÃO PERMANENTE DE MULHERES RURAIS DE PERNAMBUCO

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ASA Pernambuco realiza última plenária de 2017 durante encontro em Triunfo


Fortalecer a rede de organizações que compõem a Articulação do Semiárido Pernambucano para continuar melhorando a qualidade de vida da população. Este foi o principal objetivo da última plenária de 2017 realizada pela ASA-PE, no município de Triunfo, Sertão do Pajeú, entre os dias 06 e 07 de dezembro. Estiveram presentes no encontro representantes de 17 organizações.

Como articular as ações das organizações para fortalecer a ASA-PE? Esse questionamento foi o ponto de partida para as discussões e avaliações promovidas, cuja facilitação se deu pela assessora de comunicação da FETAPE, Ana Célia Floriano, com objetivo de dar ênfase à política de Convivência com o Semiárido. 

Logo no primeiro dia de atividades, as organizações foram convidadas a construir, coletivamente, uma linha do tempo das principais ações desenvolvidas nos últimos 11 meses. Em resumo, foram apresentados o I Encontro Saberes da Caatinga, no Araripe; a Semana da Água e do Meio Ambiente, no Pajeú; a 1ª Audiência Pública para a criação da Lei dos Orgânicos; a discussão com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para a criação do curso de Bacharelado em Agroecologia, além de atos públicos realizados em vários municípios pernambucanos contra a Reforma da Previdência.

Contudo, as mesmas organizações citaram alguns fatores impeditivos para o desenvolvimento social como a violência contra a mulher, a gestão da água fora da agenda política, a continuidade da perda de direitos, o escárnio do Judiciário, o não funcionamento do Comitê de Estiagem de Pernambuco, assim como o cancelamento dos investimentos por 20 anos.

A ASA-PE, tem reconhecido esses desafios, como ressalta o coordenador executivo, Alexandre Pires "O ano 2017 foi de muitos desafios para nós, organizações e movimentos sociais que atuam no Semiárido, sobretudo, foi um ano desafiante para a classe trabalhadora. Presenciamos um conjunto de medidas e  iniciativas do Governo Federal e do Congresso Nacional, que atacam de forma muito violenta os direitos das trabalhadoras e trabalhadores, como a aprovação da Reforma Trabalhista e da terceirização do trabalho. Fechamos o ano com uma previsão de um orçamento em 2018 com muita fragilidade e de recursos muito pequenos, que não dão condições de avançar na implementação das tecnologias sociais e nos processos de mobilização e formação para a convivência com o Semiárido".

Embora diante de uma conjuntura desafiadora, as organizações e movimentos sociais da ASA, em Pernambuco, e em todo país, se posicionam contra as medidas que retiram direitos e ameaçam as políticas de convivência com o Semiárido. A plenária foi também um espaço de avaliação das ações  desenvolvidas nos territórios ao longo do ano de 2017 e de planejar estratégias de fortalecimento para 2018.

“Um horizonte para o ano de 2018 é construção do IV Encontro Nacional de Agroecologia, que deve acontecer no início de junho, em Belo Horizonte. A presença da ASA Pernambuco e do Semiárido será marcante para denunciar o descaso e desmonte das políticas públicas, mas também para reafirmar esse Semiárido vivo, cheio de conhecimento, de mulheres lutadoras, de juventude aguerrida, de homens e mulheres que constroem a convivência no cotidiano de suas vidas. Além disso, 2018 deve ser um ano eleitoral e nós devemos também apresentar uma agenda importante para as candidaturas a Governo do Estado, a Presidência da República e para os parlamentos estadual e federal”, comentou Alexandre.

Para a coordenadora presidenta da ADESSU Baixa Verde, Raiany Diniz, o cenário desafiador não anula a resistência da classe trabalhadora e das organizações sociais que seguem engajadas na defesa dos direitos do povo do Semiárido.“Estamos sempre na luta para que as crianças, adolescentes, jovens, homens e mulheres tenham os seus direitos garantidos, e principalmente a população rural. O sentimento para 2018 é de perseverança e esperança, pois apesar do cenário crítico, enquanto rede, pretendemos nos articular ainda mais, mobilizar e empoderar as famílias agricultoras em busca de mudanças”, frisou.












Texto: Jéssica Freitas (ADESSU Baixa Verde)
           Tádzio Estevam (Diaconia)

Fotos: Jéssica Freitas (ADESSU Baixa Verde)
          Mailson Rodrigues (Agroflor)
           
          


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

CNAPO aprova Nota de Repúdio aos cortes de verbas para Programa Cisternas em 2018

Fonte: Asa Brasil


A Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), um fórum com participação paritária da sociedade civil e do governo, aprovou hoje na sua 19ª plenária, uma Nota de Repúdio à falta de prioridade do Governo Federal ao Programa Cisternas, cujos recursos públicos destinados para sua execução em 2018 estão prestes a serem reduzidos em 92% de acordo com proposta orçamentária elaborada pelo Poder Executivo. A Nota também faz referência a graves reduções em outras políticas públicas que possibilitam a convivência das populações com o Semiárido.
"O que temos observado é a crescente disponibilidade de recursos para ações que já demonstraram sua ineficácia no passado e reforçam o combate à seca e o aumento da fome. É a volta do velho “Coronelismo” e, com ele, a “Indústria da Seca” e da Fome", denuncia a nota.
Assinado por todas as articulações, redes, organizações e movimentos sociais e sindicais que participam da CNAPO, o documento ressaltou alguns elementos que tornam imprescindível essa política de acesso à água para as populações dispersas do Semiárido: a falta de água potável para consumo humano para cerca de 1 milhão 750 mil pessoais ou 350 mil famílias; uma demanda ainda maior pela democratização das tecnologias sociais de armazenamento de água para produção de alimentos; e a seca de seis anos (2012 a 2017), considerada a maior dos últimos 100 anos, "em que não há registros de migração, frentes de emergência, saques nas cidades e nem mesmo mortes humanas. Pelo contrário, comemoramos mais de 1 milhão de famílias com acesso à água de qualidade para beber e cozinhar, beneficiando mais de 5 milhões de pessoas".
A Nota destaca também o reconhecimento internacional que o Programa Cisternas recebeu, este ano, da ONU como como uma das mais efetivas políticas públicas do mundo para áreas em processo de desertificação do mundo.
Por fim, o documento recomenda: "Reivindicamos que os parlamentares e o governo federal revejam o montante de recursos destinados ao Programa, ampliando o seu orçamento para 2018 para, no mínimo, R$ 250 milhões."

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Aconteceu em Ouricuri o III Circuito Estudantil de Poesias

                                                                         Publicado por Kátia Rejane/ Comunicadora do Caatinga

O Circuito estudantil de poesias é um projeto idealizado pelo Professor e poeta Juarez Nunes, que junto com poetas e poetisas ouricurienses e de outros municípios do Araripe, se propõe a levar a poesia, através da literatura de cordel e músicas regionais, com o objetivo de proporcionar o acesso à cultura local, a estudantes de escolas públicas.


O circuito acontece anualmente e está em sua terceira edição, de forma voluntária os artistas colocam seus dons a favor do fortalecimento e propagação da cultura local, esse ano o circuito conta com o apoio da ONG Caatinga e o SESC Ler de Bodocó.
Essa 3ª edição do circuito envolveu 10 escolas da cidade e de povoados (Jacaré, Jatobá, Lopes e Escolas Rural Ouricuri), com uma média de participação de pessoas 4.000 pessoas entre crianças, adolescentes, jovens e adultos da comunidade.

Outra forma de valorização dos artistas locais é através de homenagens em vida, todo ano o circuito presta homenagem a um artista da região, esse ano foi a vez do cantor e compositor ouricuriense Tacyo Carvalho, em função dessa homenagem o circuito foi aberto no dia 10 de Novembro no povoado do Jacaré, local de origem do artista homenageado, regado com muitos depoimentos de amigos, fãs e familiares os poetas e a comunidade do Jacaré, que se envolveu em toda a preparação arrancaram lágrimas do garotão de Ouricuri ( Apelido que o mesmo ganhou de Luiz Gonzaga, ainda na juventude).




O encerramento do circuito aconteceu no ultimo dia 23, na praça Frei Damião com muita poesia e forró com Vital Barbosa e Elmo Oliveira. Para o idealizador do evento é muito gratificante a participação da juventude. “ A gente se sente feliz em ver a juventude se envolvendo, durante esse circuito vários jovens despertaram para a poesia, recitaram e escreveram versos, isso é o que motiva a gente a continuar com esse trabalho” Afirma Juarez Nunes. 
   
A perspectiva é que a cada ano, o circuito cresça, independente de apoio do poder público.