quarta-feira, 19 de julho de 2017

“Fechar escola é crime!”

Em entrevista ao Caatinga, professora da UFPB alerta para as consequências do processo de fechamento das escolas do campo
por Kátia Rejane

Albertina de Brito (à direita) participou de mesa em encontro da ASA | Foto: Verônica Pragana (Asacom)
Aconteceu no município de Areia (PB), entre os dias 11 e 13 de julho, a Oficina de Formação dos Monitores e Monitoras Pedagógicos/as do Programa Cisternas nas Escolas, realizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). A professora Albertina Maria de Brito, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), campus Bananeiras, e que integra a Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab) participou contribuindo em uma das mesas do encontro. Em entrevista ao Caatinga, Albertina Brito fala sobre a importância de uma educação para a convivência com o Semiárido e alerta para as consequências do processo de fechamento das escolas do campo.
Caatinga – Como você avalia o papel da academia no processo de construção e fortalecimento da convivência com o Semiárido?
Albertina Maria de Brito – A academia tem um papel fundamental de democratização do conhecimento, democratização do saber, de sistematização na tentativa de aprimoramento de processos históricos, culturais dos povos do Semiárido. Para isso, a academia precisa primeiro se descobrir também nesse contexto. É preciso ela reconhecer que tem um papel. Já existem vários sujeitos na academia que tem esse empoderamento do reconhecimento do Semiárido, mas é preciso a gente avançar no sentido de se reconhecer como sujeitos históricos num contexto que teve processos de escolarização negligenciados, no direito a ter acesso. E é preciso a gente ir entendendo isso, dar as colaborações, que de fato vão influenciar o que a gente defende quando se trata de educação como direito, de propiciar a emancipação desses sujeitos, de propiciar a liberdade, no sentido de liberdade de ação, de atuação. O conhecimento e o reconhecimento com valorização dos seus processos históricos e culturais. E aí a academia tem um papel fundamental no que diz respeito em como ela fomenta suas pesquisas.
Caatinga – E a participação de outros atores, outras organizações nesse processo de educação, como você avalia isso?
Albertina – São sujeitos que são fundantes dese processo. Fundantes no sentido de existência histórica desse contexto, e sujeitos que tem conhecimentos, que tem sabes históricos que precisam ser também partilhados. E um dos espaços da partilha desses processos é por meio da escolarização, é por meio dos processos de uma academia que luta e enxerga esses sujeitos como conhecedores, sabedores, detentores de saberes históricos, necessários a nossa existência como um todo. Tais como a soberania alimentar, a escolarização enquanto direito no sentido e significado pra vida dos sujeitos. A gente tem inúmeras comunidades tradicionais, com pessoas que fazem esses processos, porém não têm a visibilidade necessária para que esses processos tomem a devida amplitude que devem tomar, no sentido da dimensão do Semiárido mais povoado do mundo que é o nosso.
Caatinga – Nesse território, vocês fizeram uma pesquisa sobre o processo de fechamento de escolas. Queria que você contasse para a gente um pouco de como vocês enxergam esse processo que acontece no Brasil todo de fechar escolas do campo. É de fato necessário fazer esse fechamento ou tem outras vias?
Albertina – Tem várias outras vias. Primeiro a gente entende que fechar escola é crime! Existe uma bandeira de luta, como iniciativa dos movimentos sociais, principalmente o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra]. E fechar escola é um crime porque fere o direito a ter acesso a uma educação escolarizada com toda a carga de conhecimento histórico do contexto que o sujeito está inserido. Na hora que você fecha, você tira essa possibilidade, você nega que o sujeito tem acesso a conhecimentos universais, conhecimentos que são parte do patrimônio histórico da humanidade. Com todas as contradições que a escola tem, você tira todas as possibilidades de existência, de construção de conhecimento desses sujeitos nesse contexto. E a nossa luta é pelo direito a ter acesso à educação, só que não é qualquer educação. E a educação que a gente defende é aquela que bebe nos princípios da educação para a convivência com o Semiárido, nos princípios da educação popular, nos princípios da educação do campo. É a educação que bebe nos princípios do acúmulo da sociedade civil organizada e que tem demonstrado por várias vias, por vários caminhos, como a gente pode protagonizar esses processos. Então, a gente defende essa educação também dentro da escola. A gente fala educação num sentido amplo, educação dentro e fora da escola. Entender esse processo de fechamento por meio de uma pesquisa foi uma iniciativa da Rede de Educação do Campo da Borborema. A rede é constituída por pessoas e instituições do Território Agroecológico da Borborema, que é mobilizado pelo Polo Sindical da Borborema, que é uma organização de sindicatos locais que tem todo um processo e ações educativas nesse contexto. A rede se constitui de sujeitos, universidades, assessores técnicos da AS-PTA, do Polo, da UFPB campus Bananeiras, representantes de secretarias de educação. E a rede se articula desde 2006/2007, como iniciativa  reconhecimento das práticas em educação do campo no nosso território, e de reconhecimento da necessidade de valorização dessas práticas. E um dos encaminhamentos nosso foi, primeiro mapear essas realidades em termos de educação do campo. Depois, com a chegada mais ou menos em 2009/2010, quando ficou mais forte o processo de fechamento, a gente viu como uma necessidade fundamental de entender isso, e aí foi quando veio a história de fazer uma pesquisa, feita a várias mãos de entendimento de como está esse processo. Só que pensamos a pesquisa não para quantificar, mas para entender o impacto desses processos na vida dos camponeses. É daí que vem os relatos, que são chocantes, de pessoas que não tem mais acesso a essa escola no seu contexto. É o seu direito negado nesse processo de reordenamento escolar. Na tentativa de entender isso, a gente selecionou quatro municípios: Solânea, Remígio, Areia e Massaranduba. Desses quatro, como somos poucos e a gente não teve como dar conta de tudo, a gente trabalho especificamente dois: Solânea e Remígio e mais especificamente Solânea, que foi o município que a gente chegou a fazer a devolução do resultado dessa pesquisam com os sujeitos que participaram das narrativas com relação ao impacto desse fechamento. A gente não chegou a publicar, mas nós temos elementos para discutir porque não fechar, porque fechar é crime, porque que existem outras vias para o não fechamento. Temos elementos para fazer isso e a gente está tentando pautar por onde a gente passa, com base nesses elementos, esses resultados. Não existe só essa pesquisa, já existem outros estudos mais quantitativos sobre os fechamentos, inclusive no contexto do Semiárido. Enquanto Rede de Educação do Polo da Borborema temos assento no Comitê Estadual de Educação do Campo e lá a gente já está pautando a necessidade de entender e trazer a tona esse processo do fechamento no estado como um todo.
Caatinga – No contexto político em que vivemos de golpe, como as atuais medidas do governo estão impactando a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido?
Albertina – Foram cortes significativos no que diz respeito a redução de investimento em uma educação, que não é nem a educação que a gente espera, é importante ressaltar isso. Mas houve cortes e a tentativa de imposição, por exemplo, da escola da mordaça. Que é uma proposta que vem com uma escola sem partido, mas totalmente partidária a um modelo de desenvolvimento econômico que desconstrói todo processo que a gente vem construindo de maneira lenta, de maneira desafiante por conta das condições que temos para construir, que não são muitas. Mas somos muito resistentes no Semiárido, e vem por exemplo, uma proposta como essa do governo para quebrar todo esse processo, por exemplo, a Reforma do Ensino Médio, uma proposta que vem no sentido de formação de mão de obra. Não é nenhuma formação voltada para pensar a vida, para pensar a existência da vida no lugar que se tem. É uma formação voltada para a profissionalização do sujeito para desqualificação do trabalho e venda da mão de obra barata. Então, há uma série de ataques na educação como um todo, e são justamente porque a gente estava conseguindo ter um pouco de avanço, no que diz respeito a maneira de pensar, de se enxergar e de ser. Então, o desmonte principal, o ataque é na educação.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Quintais produtivos transformam vidas de mulheres agricultoras no Sertão do Pajeú

Por Emanuela Castro, Núcleo de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste


São José do Egito, que fica no Sertão do Pajeú, tem paisagens lindas da caatinga e é conhecida como o Berço da Poesia onde nasceram os/as poetas repentistas e cantadores/as. E, em meio ao bioma, outra paisagem vem chamando a atenção: os quintais produtivos. Por meio deles, mulheres agricultoras vêm produzindo hortaliças, ervas e frutas – que servem para consumo próprio e também para complementar a renda da família.

Os quintais produtivos são áreas que ficam nos arredores das casas usadas para o cultivo de frutas, verduras, ervas e plantas medicinais e para a criação de pequenos animais. Além de garantir alimentação saudável para a família, se tornaram uma fonte de renda extra. No território do Pajeú, o projeto que trouxe melhorias para os quintais de 10 mulheres foi iniciado há um ano e faz parte do Projeto Implantação e Expansão de Quintais Produtivos patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, que tem como objetivo o desenvolvimento local sustentável.

Para a educadora da Casa da Mulher do Nordeste, Eliane Rocha, o projeto foi como uma injeção de ânimo para as mulheres da região. “Temos relatos de mulheres que estavam desanimadas, com baixa estima por causa da seca e sem perspectivas de melhoras. E, o que a gente vê hoje é uma vibração e empoderamento de vê que tudo pode mudar”, comemora a técnica ao falar que agora elas são reconhecidas e estão mais felizes. “Elas vendem na feira, melhoraram sua alimentação e a da família”, acrescenta. “Eu era muito acomodada, e o meu quintal era longe de casa, com a chegada do projeto pude trazer para mais perto e com conhecimentos da assessoria passei a plantar melhor as minhas ervas e hortaliças. Com as práticas de cobertura morta e a criação de novos canteiros. Também vendia a galinha para comprar o milho, e agora já aprendi que não precisa, com a forrageira posso produzir o alimento das galinhas. E assim pretendo aumentar a produção do meu quintal”, disse Joselma Vasconcelos, 28 anos, da comunidade de Fortuna, em São José do Egito.

Além de trazer motivação para as agricultoras, os quintais produtivos têm sido aliados importantes no aumento da renda familiar. “Meu quintal melhorou muito, só esta semana vendi 50 ovos e 36 mói de coentro, já com a produção do novo quintal. Levo para a feira de Tuparetama e também vendo a vizinhança leite e queijo. Futuramente vou levar o couve, cebolinha, pimenta, pimentão, alface e jerimum”, ressalva Joselma.

Quem também já está comemorando o avanço da agricultura em suas propriedades é a agricultora Ariane Souza, de 47 anos, da comunidade de Monte Alegre, em Afogados da Ingazeira. Com o auxílio das ferramentas dos kits do projeto, aumentou a produção de hortaliças, frutas e dos pequenos animais. “Meu quintal melhorou muito, aprendi como lidar com as plantas, o manejo e a fazer comida para as galinhas. Aprendi a juntar casca de ovo e cinza de fogo, fazer a farinha e fica tipo um adubo para as plantas. E muito mais coisas”, relembra Ariane que também participa do projeto.

Para a CMN é estratégico tratar esses espaços como Quintais Produtivos para dar a eles e às mulheres, que são majoritariamente as responsáveis por esse local e sua produção, a visibilidade que merecem pela contribuição que têm dado para a produção de alimentos (em geral para o autoconsumo) e para a preservação de sementes de diferentes espécies, através do uso racional das águas. “A bomba veio, e foi boa por que agora é maior, enche a caixa toda. Mas cuido da água e com isso consigo molhar as laranjeiras, o milho, batata, girassol, manga, caju, graviola, quiabo, feijão guandu. E ainda vou aumentar para 10 canteiros, após a retirada dos milhos”, contou.

Além da assessoria, o projeto ofereceu kits compostos por sementes de hortaliças, mudas frutíferas, forrageiras, carroça, pá, enxada, telas de arame galvanizado, construção de galinheiros, pulverizador de 5 litros, sementes de guandu, girassol e sorgo, bomba submersa e motor a gasolina, entre outros materiais para fortalecer o trabalho e consequentemente a produção dessas mulheres sertanejas.

sábado, 8 de julho de 2017

Oficina sobre comunicação e plenária estadual pautam estratégias de fortalecimento das ações da rede ASA

Núcleo de comunicação da ASA Pernambuco

Oficina sobre comunicação
A comunicação fez e faz parte do processo em defesa do semiárido e, pensando nisso, foi realizada na última terça-feira (04), na cidade de Triunfo, Pernambuco, uma oficina sobre comunicação reunindo comunicadores e comunicadoras populares, além de dirigentes das organizações que compõem a rede ASA-PE. O encontro teve como objetivo pautar a comunicação como direito humano e promover o devido reconhecimento dela diante da trajetória de conquistas de direitos do povo do Semiárido. Durante a roda de diálogos, os presentes fizeram um repasse dos encaminhamentos do Encontro Nacional de Comunicação (Jaboatão dos Guararapes, 02 a 04 de junho), além de definirem a agenda de ações prioritárias para o segundo semestre de 2017, visando o comprometimento das organizações em viabilizar a participação dos comunicadores e comunicadoras, por entender o seu real papel político na rede.

Plenária da ASA-PE

Nos outros dias do encontro, dirigentes das demais organizações, comunicadores populares e educadores das organizações sociais que compõem ASA-PE, se somaram ao grupo para a realização da plenária bimestral para pautar demandas estaduais.

No primeiro dia, deu-se início a um debate sobre o tema água como direito humano. A diretora da Associação Águas do Nordeste – ANE, Edineida Cavalcante, apresentou estudo que pautava políticas públicas de acesso à água, além da qualidade desse bem comum.

Ainda munidos das discussões geradas durante a oficina sobre comunicação, realizada no dia anterior, as organizações também firmaram acordos em torno da comunicação como direito e como fator determinante para o fortalecimento da rede e de suas ações de luta por direitos.

Plenária da ASA-PE
O segundo dia da plenária foi dedicado a discussões sobre Rede de Sementes do Semiárido, pautando a necessidade de comunicar a defesa das sementes crioulas contra os grãos transgênicos. Em preparação para o Encontro Estadual de Sementes, a plenária lançou sugestões para programação do evento, além de serem compostas comissões de metodologia, infraestrutura e comunicação. Na oportunidade, as sementes crioulas de Pernambuco, foram batizadas de “Sementes da Partilha”.

Agricultores e agricultoras de todo o estado desenvolvem em suas propriedades, produtos do beneficiamento de alimentos como frutas, leite e mel, que representam uma alternativa de geração de renda e fortalecimento do quintal produtivo. A temática das agroindústrias familiares e comunitárias, que estão enfrentando entraves nas adequações às normas estabelecidas pela vigilância sanitária e outros órgãos de Inspeção Estadual também foi discutida. Nessa perspectiva, foi aberto um debate sobre a inspeção sanitária rígida e a falta de apoio aos agricultores e agricultoras, buscando caminho de diálogo com os órgãos do governo. Foi convidada à Plenária a diretora presidente da Agência de Defesa e Fiscalização de Pernambuco - ADAGRO, Erivânia Camelo. 


sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Araripe parou neste 30 de Junho em Ouricuri

                                                                     Por Kátia Rejane - Comunicadora do Caatinga
Nesta sexta feira, 30 de junho, convocada pelas centrais sindicais acontece em todo Brasil, greve geral, no Araripe pernambucano, foram fechadas duas rodovias nesta manhã, a BR 316 e PE 122, finalizando o ato com o encontro dos dois grupos no centro da cidade de Ouricuri, onde foi fechado o semáforo central, que liga as duas principais avenidas da cidade.
 A principal pauta do movimento é o repudio as reformas trabalhistas e previdenciária, as quais tiram uma série de direitos conquistados ao longo de muitos anos, inclusive dificulta as aposentadorias, especialmente aposentadoria rural e aposentadoria de mulheres, aumentando a idade e o tempo de contribuição.
Outra motivação do movimento é o pedido de queda do governo ilegítimo de Michel Temer, que assumiu a presidência após a retirada da presidenta Dilma Rousseff, e mesmo com tantas provas e citações de envolvimento de Temer, em esquemas de corrupção, continua no poder, portanto, os movimentos sociais em todo o Brasil pedem por eleições diretas, onde o povo possa de forma democrática escolher o próximo presidente, gritos de Fora Temer e Diretas Já, ecoaram neste dia de hoje em todo o Brasil.

Com bastante animação mulheres, homens e jovens de todos os municípios do território do Araripe, se dirigiram a cidade de Ouricuri, nesta sexta feira. “ Eu já tenho 70 anos de idade, mas venho a luta quantas vezes precisar, por que penso em meus filhos e netos que também precisam se aposentar” Diz Josefa Silva, do município de Santa Cruz.
O evento foi organizado pela Frente Brasil Popular através do Comitê da Democracia do território, formado pela Federação de Trabalhadores de Pernambuco (FETAPE), Sindicatos dos servidores públicos de Ouricuri ( SINDSEP), Sindicato dos trabalhadores da educação de Pernambuco ( SINTEPE), Sindicatos de trabalhadores/as rurais de Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena, Trindade, Araripina, Ipubi, Bodocó, Exu, Granito, Moreilândia e Parnamirim, Movimento dos pequenos Agricultores ( MPA), Movimento Sem Terra ( MST), Movimento de mulheres e movimento de jovens do Araripe. Segundo organizadores, o evento atingiu as expectativas e contou com a participação de 3.000 pessoas.








quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Araripe vai parar!

                                                                       Publicado por Kátia Rejane - Comunicadora do Caatinga

Esse é o chamamento, que o comitê pela democracia no Araripe, está fazendo, a toda a população.  Em protesto as reformas propostas pelo governo Temer: Reforma Trabalhista e Reforma Previdenciária, que tiram direitos da classe trabalhadora, conquistados à custa de muita luta, também está em pauta o pedido de Fora Temer, em repudio ao governo ilegítimo e pedido por eleições diretas, como forma de garantir a participação da população na escolha dos governantes, garantindo que haja um processo eleitoral democrático.
A programação do dia 30 de Junho, se dará em Ouricuri, em função de geograficamente ser um município central, a partir das 7:30 da manhã. A expectativa é que cerca de 2000 pessoas participem do ato.

Assessoria de comunicação do comitê da democracia no Araripe. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Convivência com o Semiárido e Cisterna-calçadão são compartilhadas em Angola

Por Carlos Henrique Silva, assessor de Comunicação da Diaconia


As mulheres tomaram a iniciativa e demonstram bastante interesse na formação como pedreiras cisterneiras
Tecnologia social que tem feito a diferença no Semiárido brasileiro, a cisterna-calçadão está sendo compartilhada pela primeira vez com famílias agricultoras de Angola, a partir de um intercâmbio de experiências realizado pela Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) com a Diaconia. A cooperação tem uma duração de 45 dias e iniciou no último dia 15 de junho, com a ida do assessor Afonso Cavalcanti e do pedreiro construtor de cisternas Dilson Nunes de Brito, ambos do Sertão do Pajeú.


Visitas a aldeias com famílias criadoras de gado, para a construção de um diagnóstico de disseminação futura de biodigestores
Na programação, estão previstas oficinas para construção de quatro tecnologias em comunidades rurais das províncias de Huíla e Cunene, que vivenciam realidades semelhantes ao Semiárido, de períodos cíclicos de seca. A iniciativa é um projeto piloto, que também envolve outras tecnologias a serem experimentadas posteriormente, como o biodigestor.

“Queremos fortalecer o intercâmbio na perspectiva do conhecimento mútuo. Muito além de implementar tecnologias, queremos aprender, valorizar a cultura local e debater estratégias para que as pessoas manejem o ambiente em que elas vivem, tendo consciência de como as mudanças do clima afetam sua vida”, destaca Afonso.

“Pra mim, o momento é de ansiedade e alegria, por essa nova experiência na minha vida”, afirma o pedreiro Dilson, 37 anos, que pela primeira vez vai atravessar o oceano e conhecer outra parte do mundo. Agricultor do Sítio Santa Rita, em São José do Egito, ele já prestou serviços de construção de cisternas em várias comunidades rurais ao longo dos últimos 8 anos.


Cisterna Calçadão - Tecnologia que capta a água da chuva por meio de um calçadão de cimento construído sobre o solo, a cisterna-calçadão tem capacidade para armazenar até cerca de 52 mil litros. A água captada é utilizada para irrigar quintais produtivos: plantar fruteiras, hortaliças e plantas medicinais, e para criação de animais. A tecnologia faz parte de diversas estratégias desenvolvidas pela Articulação Semiárido (ASA), a partir dos conceitos da agroecologia e convivência com as mudanças climáticas.