segunda-feira, 22 de maio de 2017

ADESSU Baixa Verde no combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Por Jéssica Freitas - comunicadora da ADESSU Baixa Verde
e Rosilene Moraes - coordenadora do projeto apoiado pela KNH/Alemanha



A ADESSU Baixa Verde fez bonito, e em articulação com vários parceiros, levou nesta quinta-feira (08) a Campanha FAÇA BONITO – Proteja nossas crianças e adolescentes, para o município de Santa Cruz da Baixa Verde, onde atua. O 18 de Maio – Dia nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes foi vivenciado com uma mobilização social pelas principais ruas da cidade e falas políticas de alguns detentores de deveres. O objetivo foi sensibilizar e convocar toda sociedade e o poder público para assumirem a responsabilidade de prevenir e enfrentar o problema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes. As escolas municipais e estaduais tiveram uma participação ativa no evento e transmitiram sua mensagem de repúdio ao abuso e à exploração sexual através de teatro, música, paródia, poema, repente e hap.

O evento foi uma realização da ADESSU Baixa Verde, com o apoio da KNH Alemanha, em parceria com Escolas Municipais e Estaduais, Secretarias de Educação, de Desenvolvimento Social, de Saúde e de Agricultura, NASF, Serviço de Convivência, Programa Mãe Coruja, Casa Ana, Centro Sabiá, Câmara de Vereadores, NUCA, Conselho Tutelar, COMDESC, Sindicato dos Trabalhadores e trabalhadoras Rurais e Encontro de Jovens com Cristo-EJC.

Como encaminhamentos práticos do ATO PÚBLICO, a ADESSU Baixa Verde solicitou ao prefeito do município, Tássio José Bezerra dos Santos, as seguintes providências:

1.      Reativação do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, órgão de caráter deliberativo e paritário, previsto na lei no 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como órgão responsável pela formulação e coordenação da política municipal de direitos para as crianças e adolescentes.

2.      Fortalecimento das ações nas áreas de educação, saúde, proteção e participação social de crianças e adolescentes, tendo em vista a manutenção do SELO UNICEF, conquistado pelo município em 2016.

POR QUE 18 DE MAIO?

Em 18 de maio de 1973, uma menina capixaba de Vitória/ES, foi sequestrada, espancada, estuprada, drogada e assassinada numa orgia imensurável. Seu corpo apareceu seis dias depois, desfigurado por ácido. O crime permanece impune.  Após forte mobilização, o movimento em defesa de crianças e adolescentes conquistou a aprovação da Lei Federal 9.970/2000 que instituiu essa data como o dia nacional de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. O dia 18 de maio foi instituído como dia para as lutas e mobilizações de enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. 

A SUA ATITUDE PODE AJUDAR A MUDAR OS ÍNDICES DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM NOSSO PAÍS.


#FAÇA BONITO












quarta-feira, 3 de maio de 2017

Casa da Mulher do Nordeste inaugura 10 quintais produtivos no Sertão do Pajeú

Por Emanuela Castro, da Casa da Mulher do Nordeste

Nas últimas semanas a CMN percorreu sete municípios do Sertão do Pajeú para inaugurar os quintais produtivos de agricultoras assessoradas pela instituição. Ao todo foram 10 mulheres que receberam melhorias em suas comunidades para a produção, apesar do período de estiagem prolongada. Essa iniciativa faz parte do Projeto 15.282 de Implantação e Expansão de Quintais Produtivos patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, executado pela CMN.

As mulheres receberam tela para estruturar seus quintais produtivos, especial para as áreas da criação de galinhas e da produção de hortaliças e plantas medicinais. Além disso, receberam alguns equipamentos, como forrageiras, enxada, pá, bombas, canos e mangueiras para ajudar no sistema de aguação, entre outros. “Para as mulheres essa melhoria veio em um bom momento, agora elas possuem um local propicio para a criação de galinhas. E com o cercado da horta, elas conseguem delimitar o espaço para que outros animais não tenham acesso. Verificamos um aumento na diversidade de cultivos nos quintais através das trocas de sementes e plantas”, conta Eliane Rocha, técnica educadora da CMN que está realizando a assessoria às mulheres.

Outro destaque durante as inaugurações foram as trocas de saberes e de produtos, puderam conhecer as experiências de cada uma que se envolveu no projeto. “Gostei bastante da inauguração, conheci outras mulheres e trocamos bastante. Agora tenho pimenta, coentro, alface, tomate, hortelã, cidreira, milho verde. Com tudo isso não preciso comprar mais verduras com agrotóxico”, disse a agricultora Marilene Silva, 43 anos, da comunidade de Poço Redondo, município de Tabira. Ela conta que o acesso à água é difícil, mas com a aquisição da bomba vai facilitar o trabalho. “Antes tinha que ir pegar água com carro de boi para aguar as plantas. E agora que está chovendo, a bomba vai poder puxar a água de um barreirinho que tenho aqui perto”, completou. Ela só possui uma cisterna de 16 mil litros para consumo próprio, mas não para produção.

Todas as mulheres fazem parte de algum grupo organizado de mulheres, e por este motivo, a forrageira que adquiriram com o projeto será usada pelo coletivo, contribuindo para a alimentação de pequenos animais. A sororidade entre as mulheres e a aposta na auto-organização das mulheres é uma das prioridades no trabalho desenvolvido pela Casa da Mulher do Nordeste. “Faço parte do grupo de mulheres Renascer, da comunidade de Açude da Porta, e esse projeto beneficiou a todas nós com o uso da forrageira que será usado por todas. Também já deixei de comprar alface, coentro, cebolinha com agrotóxico. Agora produzo meu próprio alimento, e a alimentação da minha família melhorou bastante.  Onde criava as galinhas era bem apertado, com o novo espaço vou poder criar mais e agora elas tem até bebedouro”, relatou a agricultora Maria Sineide Silva, 40 anos,  do sítio de Macambira, São José do Egito.


O projeto está sendo desenvolvido nos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde, Flores, Afogados da Ingazeira, Tabira, Ingazeira, São José do Egito e Itapetim. Como contrapartida, as mulheres tiveram que apoiar com a instalação das telas, as estacas e o ajudante para o pedreiro construir o galinheiro. O projeto terá continuidade até o final deste semestre, onde as agricultoras continuam a receber a assessoria técnica da CMN para uma melhor convivência com o semiárido. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Organizações do Sertão do Pajeú aderem à greve geral pela defesa dos direitos da classe trabalhadora

Por Jéssica Freitas - Comunicadora da ADESSU Baixa Verde


Manifestação em Serra Talhada
Nesta sexta-feira (28/04), o Brasil foi palco de uma greve geral e manifestações de trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias contra as reformas trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB). 

A ADESSU Baixa Verde aderiu à greve, além de participar de um grande ato público realizado na cidade de Serra Talhada, Sertão do Pajeú pernambucano. Membros da sociedade civil e do poder público, como agricultores e agricultoras, organizações sociais, Movimentos estudantis, associações comunitárias, sindicatos, comerciantes, grupos religiosos, escolas públicas e privadas, percorreram as principais ruas com faixas, cartazes e bandeiras em manifestação contra a retirada de direitos da classe trabalhadora.

A manifestação foi encerrada com uma audiência pública na Câmara de Vereadores, onde foram debatidas as consequências negativas das reformas para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Na ocasião, vereadores que se dizem contrários as reformas fizeram falas de protesto, acompanhados de membros de organizações sociais e sindicais, que apresentaram dados da arbitrariedade imposta pelo aumento da idade mínima e do tempo de contribuição. 

Convocada em todo o país, a greve geral também foi motivada pela aprovação do texto base da reforma trabalhista na última quarta-feira (26). São mais de 100 mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), propostas pelo Governo e aprovadas pela Câmara dos Deputados. O teste segue pra votação no Senado.

Ouricuri adere a Greve Geral

                                                                                    Por Kátia Rejane - Comunicadora do Caatinga
Na manhã, desta sexta feira, as principais ruas de Ouricuri, no sertão do Araripe Pernambucano, foram tomadas por centenas de manifestantes, que aderiram a agenda de luta nacional, Greve Geral, em todo o Brasil, contra as reformas da previdência e reforma Trabalhista.
O Sindicato dos Servidores públicos de Ouricuri (SINDSEP), Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ouricuri, Federação dos Trabalhadores de Pernambuco (FETAPE), junto com Fórum de Mulheres do Araripe, Grupo de Mulheres Jurema,Sindicato dos Servidores da Saúde (SINDSAÚDE), Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência ( SIDSPREV), Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEP), Movimento Sem Terra (MST),  Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), e organizações de Base e de Apoio a agricultura familiar, além de Organizações dos municípios de Santa Cruz e Trindade realizaram, neste dia 28 de Abril, um ato de rua, repudiando as Reformas da Previdência e trabalhista, que visam tirar direitos de trabalhadores/as. 
O ato teve início na Praça, Padre Francisco Pedro da Silva, Praça da prefeitura, e seguiu pela feira livre de Ouricuri, até o semáforo central da cidade. O trânsito parou durante 20 minutos,  várias pessoas fizeram falas, repudiando as reformas, que prejudicará trabalhadores/as, atingindo mais fortemente, os que possuem menores condições financeiras, mulheres, jovens, comunidades tradicionais e agricultores/as familiares serão bastante afetados/as.
Os manifestantes seguiram em caminhada até agência da Previdência social, do município, onde o ato foi encerrado.
Para Analberga Lino, do SINDSEP, esse foi um movimento muito importante para toda a classe trabalhadora. “ Precisamos cada vez mais, ir as ruas dizer não a esse desmonte dos direitos, que atingirá fortemente a classe trabalhadora” Afirmou a professora.
A avaliação por parte da organização do evento, é muito positiva, estima -se que participaram mais de 3.000 pessoas, o que mostra forte adesão da população, ao movimento,  envolvendo diversos seguimentos: Saúde, educação, agricultura familiar, sindicalistas, movimentos sociais, movimentos de mulheres, jovens urbanos e rurais.
Ainda nesta manhã, no sertão do Araripe, aconteceram atos de ruas, nos municípios de Bodocó, com estimativa de participação de 2.000 pessoas, e nos municípios de Exu e Araripina. Além de vários outros municípios do Brasil.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Nota da ANA sobre proposta de mudança no Censo Agropecuário 2017


Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) envia nota ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em que critica exclusão da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais do Censo Agropecuário 2017 e reivindica que o IBGE reveja a decisão. O documento foi aprovado pela Plenária da ANA, reunida em Belo Horizonte, em 6 de abril. Acompanhe abaixo o texto na íntegra.


Belo Horizonte, 6 de Abril de 2017.

Ao Sr. Paulo Rabello Castro

Presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

À Sociedade Brasileira

A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), por decisão da Plenária Nacional realizada de 4 a 6 de abril de 2017, que reuniu mais de 70 representantes de movimentos sociais do campo e das florestas, instituições da sociedade civil, redes de agroecologia, povos indígenas e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares de todo o país, vem a público apresentar suas críticas à exclusão da agricultura familiar do Censo Agropecuário 2017 e reivindicar que o IBGE reveja a decisão.

O questionário proposto pelo IBGE exclui ou altera perguntas fundamentais para a compreensão da realidade do campo brasileiro e para a avaliação das políticas públicas direcionadas à agricultura familiar. As exclusões ou alterações propostas precarizam a qualidade dos dados estatísticos sobre a realidade da agricultura brasileira com repercussões negativas para a formulação de propostas para a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e para a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

As informações obtidas no último Censo Agropecuário, realizado em 2006, possibilitaram o reconhecimento dos agricultores e das agricultoras familiares enquanto protagonistas na produção alimentar brasileira, com relevante participação na economia nacional. As informações geradas pelo Censo Agropecuário 2006 foram fundamentais para a formulação e o aprimoramento de políticas inovadoras voltadas à agricultura familiar e ao desenvolvimento sustentável.

Questões importantes não podem ficar de fora do formulário censitário do IBGE, como àquelas referentes à diversidade dos modelos produtivos e dos modelos alternativos de produção; àquelas relacionadas ao uso de adubos sintéticos e agrotóxicos, especialmente importantes para indicar a produção de alimentos saudáveis e impactos na saúde ambiental e das pessoas, aspectos fundamentais para os objetivos de desenvolvimento sustentável. Ainda, não podem ficar de fora questões que oportunizam a autoidentificação étnico-racial que por sua vez caracterizam melhor a população rural, evidenciando grupos populacionais que historicamente são marginalizados e; questões relacionadas à força de trabalho que visibilizam as relações de gênero e de geração na unidade de produção. Atribuir apenas a “um responsável” todo o investimento de tempo e força de trabalho na unidade de produção é a expressão das desigualdades de gênero que precisa ser reparada nas estatísticas.

Por estas razões, solicitamos que o IBGE dialogue com a comunidade científica e com os movimentos sociais que representam a agricultura familiar e não suprima os quesitos relacionados à sustentabilidade ambiental, visibilidade dos trabalhos das mulheres e juventude, agricultura familiar e aqueles quesitos que têm permitido o reconhecimento, na América Latina, do nosso País como protagonista na produção de alimentos saudáveis e adequados para toda a população brasileira. Os cortes no orçamento (o que é fato) não justificam a supressão de tais itens. A alteração do Censo Agropecuário, como está proposto pelo IBGE, ocasionará graves retrocessos políticos e sociais para a sociedade brasileira e por isto reivindicamos que a decisão seja revista.

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Comunidades recebem primeiros Tanques de Pedra

Por Carlos Henrique Silva (assessor de Comunicação da Diaconia), com colaboração de Augusto Henrique (auxiliar técnico da Diaconia)


Os últimos dias de março e início de abril têm sido de satisfação para as famílias rurais do município de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú (PE). Além das chuvas que estão chegando à região, uma tecnologia tem contribuído para o armazenamento maior das águas: são os Tanques de Pedra, também chamados de caldeirões, construídos pela Diaconia a partir do projeto Pernambuco Mais Produtivo.

A tecnologia aproveita as áreas de serra ou onde existem lajedos. São fendas largas, barrocas ou buracos naturais, normalmente de granito, que funcionam como área de captação da água de chuva. O volume de água armazenado vai depender do tamanho e da profundidade do tanque. Para aumentar a capacidade, são erguidas paredes na parte mais baixa ou ao redor do caldeirão natural, que servem como barreira para acumular mais água.

Diferente das cisternas, que atendem a cada família, o tanque de pedra é uma tecnologia de uso comunitário. A água armazenada é utilizada para o consumo dos animais, plantações e os afazeres domésticos de quem mora em seu entorno.

O agricultor Raimundo Alves de Barros Filho, conhecido como Buda, é um dos mais satisfeitos. Morador da comunidade Fazenda São Miguel, em Serra Talhada, ele teve o primeiro tanque de pedra construído num período de cinco dias, e entregue logo no dia de São José (19 de Março), marcado na região como tempo de início das chuvas e do plantio para a colheita no São João.

“A comunidade acabou de ganhar a tecnologia, e ela vem beneficiar a questão da água, pois estamos sofrendo muito aqui, com poço secando, o açude seco há mais de seis anos. Acho que o tanque de pedra é um dos benefícios melhores que a gente pode receber, até porque não vai ter impacto nenhum no meio ambiente, pois aproveitamos o lajeiro, que é uma coisa que já tem na natureza, e aí está se formando um tanque em cima, que não vai desmatar. Vai favorecer a várias pessoas na região, e devemos abraçar com muito carinho”, afirma seu Raimundo.

Segundo o coordenador do projeto, Salomão Jalfim, até o momento foram encontrados locais para 12 tanques no município de Serra Talhada, uma busca que é mais lenta pela distância das comunidades e pela disponibilidade de solo para instalação do reservatório. “Este tanque está totalmente cheio, já chegou a sangrar. Estimamos que armazene aproximadamente 400 mil litros de água, e por sinal é um dos menores construídos por nós”, afirma o coordenador.

Dentre as orientações que as famílias já estão atentas, está o uso consciente da água, mesmo com a maior capacidade de armazenamento: “Essa água vai ser utilizada para o banho, lavar roupa, dar de beber aos animais, e para a pequena irrigação, por isso tem que ter muito cuidado pra economizar. Temos muitos animais soltos na região, e dependem dessas águas, pois não tem poços”, conclui o agricultor.

O programa Pernambuco Mais Produtivo é desenvolvido através da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA) do Governo do Estado de Pernambuco, com apoio da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e realização de organizações da ASA-PE: Diaconia, Dioceses de Caruaru e Pesqueira e Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor).